fevereiro 29, 2008

saudades




Eu era bem pequenininha, mas eu era feliz. (claro que ainda sou) :) não conhecia nada de ruim, e meu dia-a-dia se baseava em contos de fadas. :X

fora cair de bicicleta à trancar o dedo na porta, eu não conhecia a dor: dor do amor, dor da saudade, dor da perda, dor de cólica... se eu pudesse evitar, eu preferia até hoje não saber o que é dor alguma.

mas como é a lei da vida: crescer, reproduzir, envelhecer e morrer.
eu cresci, e como diz minha vó "vc já é uma mocinha".

no meio de tantas conseqüencias, erros, acertos, perdas e desencontros... eu cresci!

eu errei muito, aprendi muito, e hoje em dia, quem não aprende com os erros?

perdoei, fui perdoada, perdi, ganhei, caí, venci.

fevereiro 28, 2008




Diante de coisa tão doída
Conservemos-nos serenos.

Cada minuto de vida
Nunca é mais, é sempre menos.
Ser é apenas uma face
Do não ser, e não do ser.

Desde o instante em que nasce
Já se começa a morrer




fevereiro 26, 2008

Sempre quis...





Sempre quis ser desse tipo de mulher que você olha e não sabe se é virgem ou se já fez orgia. Se é gorda ou magérrima. Se é amada ou encalhada. Aquele tipo de mulher não óbvia e que jamais fala da sua vida. A mulher misteriosa. É fácil reconhecer a mulher misteriosa. Ela jamais atende o celular na sua frente. Se levanta e vai atender bem longe de você. E você não sabe se ela está narrando alguma postura do Kama Sutra ou uma receita de bolo de fubá da vovó. O toque do seu celular é discretíssimo e você nem percebe que ela saiu de perto pra atender. Porque ela também é discretíssima. Por que terminou o namoro da mulher misteriosa? Ela enjoou dele? Levou um pé na bunda? O cara morreu? Ela tá sofrendo? Você nem sonha. Ela não conta nem pro terapeuta. Aliás, você também jamais vai descobrir se existe um terapeuta. Numa mesa de bar com conversa animada, ela se limita a sorrir. Numa festa importante, ela se limita a aparecer por minutos e desaparecer em segundos. Em um show, ela jamais canta as letras, rebola, comemora, fica suada. Aliás, quem é que já encontrou ela em algum show? Dizer seu nome em vão parece até um pecado. Ela nunca fala de ninguém e muito menos dá assunto para alguém falar dela. Não se tem nada a dizer dessa mulher. Mas, para desespero geral de todas as outras mulheres, o mundo não tem outro assunto. Todos os homens desejam loucamente a mulher misteriosa. Todas as mulheres desejam loucamente a mulher misteriosa. Sua personalidade incerta acaba se tornando uma personalidade fortíssima e seu jeito anulado acaba se tornando um espaço gigantesco para todos imaginarem o que bem quiserem. E eu, como estava dizendo, sempre quis ser dessas mulheres imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já tô rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais. Já escrevi um texto sobre o fulaninho da terça passada e publiquei numa revista. E o fulaninho tá morrendo de medo porque escrevi que gosto dele. E, se alguém perguntar, vou dizer mesmo que gosto dele. E, se ele não gostar de mim, minha tristeza não será segredo para ninguém. E minha pasta de dente é para deixar os dentes branquinhos. E, quando vou ver, lá se foi a mulher misteriosa que eu gostaria tanto de ser. Porque eu jamais poderia ser uma. E sofri anos com isso. Até que resolvi conviver de perto com algumas mulheres misteriosas para tentar descobrir o que se passa na cabeça e na alma desses seres incríveis que nunca têm nada a dizer, a doer, a aconselhar, a cantar, a dançar, a morrer de rir, a fofocar, a detalhar, a exagerar, a sonhar, a dividir, a acrescentar. E descobri que a coisa era muito mais simples do que eu imaginava: nada. Não se passa nada de relevante nem na cabeça nem na alma dessas mulheres. As mulheres misteriosas, tão admiradas e desejadas, não passam de mulheres sem a menor graça. Elas não calam por mistério, charme ou discrição. Calam porque simplesmente não há nada mais sábio que elas possam fazer.

Sem inspiração, motivação nem vontade... apenas necessidade: bem, é um misto de tudo, estou muito contente com algumas pessoas, pessoas que nem vejo, é legal porque mesmo assim sinto saudade e uma enorme paixão por elas... pessoas que têm mais o que falar e mais tempo pra escutar, pessoas verdadeiramente interessadas. estar feliz as vezes parece errado, como se nao tivessemos direito, nao é? afinal, nem tudo sao flores.algumas atitudes inesperadas. sentindo vontade de falar sobre alguma coisa, que na verdade nao sei do que se trata, só sei que precisa sair, me libertar -como diria - mas e aí, me ensina? falar de estudo já ta saturado, sentimentalismo barato também, melancolia... viche! nem se fala .Rá. mas é isso aí, sentimentos se repetem, sensaçoes também [aquele gelo na barriga que você nao sabe se é bom ou ruim], é assim mesmo, tudo volta...infelizmente. e como seria melhor se nao houvesse refrão nenhum! mas há!